22 de fevereiro de 2013

METADE

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

3 de fevereiro de 2013

Ainda você ...

Não sei, e isso me incomoda. Não entendo essa coisa de mudar meu dia do nada, de transbordar meu pensamento, dessas coisas estranhas de alegria e tristeza misturadas. 
Uma salada de frutas em minha mente, mas diferente. Salada cheia de sabores irreconhecíveis, místicos, que acabam como uma mistureba sem rumo e sem consistência.
Prefiro acreditar que é amor mesmo, ou dessas coisas que tiram nossa direção, onde o vento sopra e bagunça o cabelo pra qualquer canto no mundo.
Não sei, e transformo tudo em angústia; pode ser saudade do que planejamos e não vivemos, deverás ser vontade de colocar em prática tantos sonhos, ou talvez incapacidade de admitir as mentiras que criamos para nós.
Não sei. E choro. Não sei. Ainda é você.



Eu  ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado.
(Adriana Calcanhoto).